Após a morte do Tobias, para além do nosso sofrimento, o nosso outro gato, o Fibi, começou a ter um comportamento estranho, introvertido e apático, típico de luto felino, pelo que iniciámos a procura de uma gata adulta (para a qual seria mais difícil encontrar um lar) no site da União Zoófila, para lhe servir de companhia e alegrar-nos também.
Perante grande reflecção, chegámos à conclusão de que, apesar de ser melhor adoptar um animal já adulto, para o Fibi, um gato um pouco territorial e medroso, talvez fosse mais aconselhado arranjar-lhe uma amiga bébé que o enchesse de mimos e o conquistasse lentamente com as suas diabruras.
No dia em que o Tobias nos deixou, visto termos descoberto uns dias antes que era positivo para FIV (após um falso-negativo laboratorial um ano e oito meses antes), decidimos testar o Fibi também aos vírus do FIV e FeLV, resultado que nos chegou do laboratório como sendo negativo para ambos. Como tal, livre de perigo de contágio, dirigimo-nos à Associação Zoófila Portuguesa com o intuito de adoptar um/a gatinho/a.
De lágrima no canto do olho e o coração cheio de pesar, fui com o Álvaro ver os bébés que por lá se encontravam... Na minha mente, queria uma réplica o mais exacta possível do Tobias, um gato preto e branco - de ar simultaneamente doce e rufia - que nos enchesse a alma de alegria, no entanto encontrei duas pequenas boxes com outras criaturas tão singulares: na de baixo, um grupo de irmãos felinos no qual o mais tímido e frágil me chamou a atenção; na de cima - avistada primeiro pelo Álvaro - uma gatinha um pouco maior, com cerca de dois meses, e absolutamente adorável, de seu nome Azeitona.
Logo ao primeiro impacto, via-se que a Azeitona era especial... Estava pendurada nas grades como uma macaquinha, a fazer malabarices com o olhar muito fixo em nós - um olhar de 'monstrinho das bolachas' como eu lhe chamava - de verde amarelo de azeitona, e um mohawk como penteado num farto e lustroso pêlo negro. Decidimos levar a panterinha, que ainda no lobby da AZP, dentro da tranportadora munida de uma bola vermelha com um guizo, fez questão em correr para mim e ronronar sempre que olhava para ela.
Conquistou-me num piscar de olhos.
A caminho de casa (re)baptizei-a de Olívia, um nome que lhe assentava na perfeição.
A reaccão à nova inquilina foi mista... A nossa cadela Dot, a alfa da casa, ficou desconfiada e mal-disposta (o que não é estranho nela); o Dário, o nosso cão sénior de 23 kgs, teve medo da pequena e frágil criatura negra de 200 ou 300 gramas; e o Fibi, medroso como de costume, desatou a bufar e fugir dela como se de uma ameaça se tratasse.
Na semana seguinte, tudo voltou mais ou menos ao normal... O Dário continuou a ter receio, a Dot começou lentamente a aceitá-la, e o Fibi aprendeu que por detrás daquele corpinho magricela e adorável aspecto peculiar, estava de facto a perfeita companheira de brincadeira.
Essas primeiras semanas foram fantásticas... A pequenita era a alegria da casa, consolava-me o coração e estava inseparável do Fibi, passando o dia inteiro agarrados ora aos beijinhos, ora embrulhados em verdadeiras lutas greco-romanas.
Para além de a termos adoptado com uma diarreia crónica com algum sangue (a qual permaneceu vários meses e, para além das diabruras, contribui para a alcunha de 'Pivete'), a Olívia estava óptima, cheia de energia e muito divertida, e em Julho recebeu as primeiras vacinas, sendo uma delas a do FeLV. Para meu espanto, esta vacina foi-lhe dada no pescoço ao invés da perna de trás (perigosíssimo devido à potencial toxicidade) e sem ser efectuado previamente um despiste de FeLV, o que é vivamente aconselhável. Há quem diga que não valerá a pena fazê-lo antes dos 6 meses devido aos anti-corpos maternos, mas o teste do FeLV, ao contrário do do FIV, localiza um antigénio - o p27 - e não anti-corpos, pelo que o factor materno não influencia o resultado do mesmo.
Como tal, mudei de veterinário, o qual testou prontamente a Olívia, com dois testes instantâneos de kit, que acusaram FeLV positivo, testando de seguida o Fibi que obteve o mesmo resultado. Foi-nos aconselhado não revacinar a Olívia com a vacina do FeLV (pois pode induzir a um sarcoma no local da injecção), e ouvimos falar na opção da eutanásia, num futuro não tão risonho, o que repudiei prontamente. Fomos para casa cabisbaixos, com a tristeza e o peso de devido a mais um teste falso-negativo (o do Fibi, 2 meses antes), a nossa gatinha ter contraído a mais mortal das imunodeficiências felinas, o FeLV. O veterinário também nos assegurou que após 6 meses, ambos teriam que ser novamente testados a fim de se confirmar qual deles, se algum, teria combatido o vírus e ganho imunidade.
Seis meses - e muita brincadeira - passados, e lá nos dirigimos ao hospital para fazer novamente o temido teste, mas desta feita através de análise de laboratório, a qual é aceite pelos veterinários como sendo as mais conclusiva e fiável.
A chegada dos resultados trouxe-nos alguma paz... Apesar do Fibi encontrar-se infectado definitivamente (o que já deveria estar quando o encontrámos debaixo de um carro em 2003, com poucas semanas, visto não terem acesso à rua), a Olívia tinha montado uma resposta imunitária eficaz e ficado imune ao vírus.
Respirámos de alívio, claro está, e decidimos focar-nos no primeiro, embora ainda pouco acentuado, sintoma do vírus no Fibi - o aumentar de um dos rins - e os não relacionados cristais de oxalato de cálcio que teimam em persistir devido a uma urina demasiado ácida, ambos tratados com uma dieta exclusivamente à base de Purina NF.
Em Janeiro, a Olívia teve o primeiro cio, tendo sido esterilizada logo após o terminar do segundo, no intuito de a aliviar do incomódo do mesmo e igualmente prevenir o risco de futuros cancros mamários. Como sempre, e apesar dos nossos esforços, continuou a correr e pular como se a sutura na barriga de uma unha encravada se tratasse, e após três semanas (e um inchaço imprevisto devido a tanto pulo e pouco juízo) o penso foi retirado e os incómodos cios desapareceram na sua totalidade.
Entre Janeiro e Junho, a vida da Olívia foi o mais próximo de perfeita... Uns donos que a adoravam, um amigo felino o qual imitava e de quem era inseparável; um cão idoso de grandes dimensões e ar de surfista que apesar de evitar olhá-la nos olhos e ser o seu extremo oposto (macho, velho, louro, olhos escuros, cão) estava sempre ao lado dela; e a Dot, que apesar de aparentar indiferença, costumava lamber-lhe o interior das orelhas com grande afinco. Passava horas e horas no quintal, sem acesso ao exterior, a observar o mundo... Os pássaros a esvoaçar, os insectos, a apanhar sol e cheirar as flores.
Em meados de Junho, começámos achar a Olívia ligeiramente diferente. Nada que nos desse motivos para alarme, senão teríamos ido prontamente ao veterinário (somente a escolha de um novo sítio para dormir dentro de casa) mas com o passar dos dias, esse sítio seria mais permanente, e ela trocá-lo-ia pelas habituais horas ao sol no quintal.
Continuou a comer com vontade, embora um pouco menos - o que pensámos ser a habitual exigência dos gatos relativamente ao que ingerem - e no final da semana, como estava menos activa e brincalhona, decidimos que lhe iriamos comprar brinquedos novos.
No fim-de-semana, a Olívia continuou igual... Comia, estava bem, parecia normal, mas notámos que o olhar dela estava apático, cansado. Na segunda-feira de manhã, pelo sim pelo não medimos-lhe a temperatura - 38.3 - e dirigimo-nos para uma consulta no veterinário.
A veterinária que nos atendeu achou-a prostrada e voltou a medir-lhe a temperatura, que agora estava em 39.1, e procedeu a tirar-lhe sangue para análises que estariam prontas na Quarta-feira, quando regressássemos com a Olívia. Explicámos que o Fibi tem FeLV, mas que segundo o colega dela e um teste laboratorial, a Olívia tinha ganho imunidade, o que ela negou, tendo achado estranho da parte do colega pois, tendo o primeiro teste de kit sido feito aos 3 meses, detectaria os anti-corpos da mãe e não o vírus (pelo que experenciámos em primeira mão, as opiniões mudam drasticamente neste assunto).
Foi-nos pedido que medissemos a temperatura na manhã do dia seguinte, e que a levássemos novamente caso estivesse acima de 39.1 graus, ou a sentissemos a piorar.
Na terça de manhã, medimos-lhe a temperatura que se encontrava nos 39.3... Apressámo-nos para o veterinário, o Álvaro foi trabalhar, e eu fiquei com a Olívia na sala de espera.
Como era de manhã, a veterinária do dia anterior não se encontrava, e aquando da consulta, como a ficha médica da Olívia entretanto desapareceu, tive que manter ao corrente da situação a nova médica. Após um exame às gengivas, que desde o dia anterior tinham perdido totalmente a cor, a nova veterinária pediu que as análises tivessem carácter de urgência e ficassem prontas em 2 horas. Suspeitou-se de veneno para ratos, o qual impede a coagulação do sangue causando uma insuspeita hemorragia interna, mas ainda mais de uma possível infecção com FeLV.
Voltei à sala de espera, preocupada mas sempre a afagar a cabeça da Olívia, que se mantinha alerta, e liguei para o Álvaro que entretanto tinha tido um acidente de automóvel, felizmente ligeiro.
Às 13 horas, ainda na sala de espera, fomos chamadas para um raio x, a fim de despistar um envenenamento e possíveis tumores, o qual não revelou nada de anormal.
Uma hora e meia depois, com a chegada dos testes e da veterinária do dia anterior, fui, acompanhada novamente pelo Álvaro, receber o resultado das análises sanguíneas.
'Os testes chegaram... Estes valores são muito preocupantes porque não combinam com uma gata ainda viva. Tem de receber uma transfusão de sangue urgentemente!!', disse a veterinária.
O hematocrito da Olívia estava extremamente baixo, em apenas 7 valores, revelando uma anemia severa que podia tornar-se fatal a qualquer momento.
Foi feito outro teste de kit do FeLV, que infelizmente revelou-se mesmo positivo apesar do anterior negativo, um teste à Hemobartonella - que se revelou negativo - e tentou encontrar-se um dador a todo o custo. O hospital não tinha nenhum, nem os outros para onde a veterinária ligava; tentámos com pessoas próximas que têm gatos mas havia sempre o obstáculo de terem de estar em jejum e fazer alguns testes. Após alguns minutos de desespero nosso, felizmente a veterinária conseguiu localizar um hospital na margem sul com um dador interino.
Após mais testes e uma suplementação de potássio, a Olívia recebeu uma transfusão sanguínea.
No dia seguinte, foi-nos dito que o hematocrito tinha subido apenas ligeiramente, para 8 e tal, e que teria uma anemia hemolítica autoimune, apesar de regenerativa, na qual o sistema imunitário ataca os glóbulos vermelhos como se fossem invasores, ou seja, haveria o perigo de mesmo após cada transfusão, sob ataque das suas próprias defesas, o hematocrito voltar a descer violentamente.
Apesar de ter FeLV, o que por si só suprime fortemente o sistema imunitário, o seu tratamento teria que passar por corticóides que, ao suprimi-lo ainda mais, impedi-la-ia de destruir os seus glóbulos vermelhos mas abriria mais as portas a uma possível infecção resistente.
Nesse dia a Olívia estava muito alerta, miou quando nos viu, veio para o nosso colo, levou festas e beijinhos, foi dar uma volta lá fora com o soro ao colinho do dono, e como não tinha apetite, dei-lhe um pouco de Nutri-plus e NutriCal como suplementação calórica, vitamínica e mineral.
Na Quinta-feira, apesar de uma febre de 41 e algumas décimas que posteriormente baixou, o hematocrito da Olívia estava quase nos 10, o que fazia crer que não necessitasse de mais nenhuma transfusão. Como não se encontrava a origem desta anemia e dado o parasita da Hemobartonella ser cíclico e poder não ser detectado no sangue mesmo após várias análises, pedi à veterinária encarregue se podiam considerar despistá-lo mais algumas vezes.
O resultado da análise chegou, e apesar de não haver sinais da Hemobartonella, a existência de glóbulos brancos velhos e não renovados indiciava uma leucemia mielóide, que logo que a Olívia estabilizasse, seria confirmada através de uma punção na medula.
Passei a tarde toda com ela, ora no meu colo, ora a dormir... Ainda não comia, mas bebeu leite para bébé, lambeu o molho de duas comidas Gourmet diferentes, e tomou NutriCal e um pouco de Nutri-plus. À medida que as horas iam passando, sentia-a mais fraquinha, mais letárgica, com mais vontade de dormir e menos de interagir. Quando chamávamos por ela, não abria os olhos, só abanava a cauda numa tentativa de interacção com os donos que adorava.
Saimos do hospital com o coração nas mãos, e ligámos para saber como estava ainda nem tinham passado duas horas de a termos visto.
Na Sexta-feira, os resultados da análise ao hematocrito foram devastadores... Dos quase 10 (ainda muito baixo para os 24-45 considerados normais) tinha descido abruptamente para os 5/6, e o sangue dela agora era quase somente água.
Levou uma segunda transfusão, sendo que pouco depois fomos visitá-la. Estava muito cansada, embrulhada numa mantinha azul bébé que levámos, abriu os olhos algumas vezes, e levou muitas festinhas e beijinhos. Ao saírmos, ambos beijámos-lhe a testa algumas vezes, dissemos que a amávamos e desejámos melhoras.
Ligámos para saber como estava à 1 da manhã, e já na cama, às 4 horas, recebemos um telefonema a dizer que a Olívia tinha falecido.
A Olívia morreu com um tromboembolismo pulmonar, na madrugada de Sexta para Sábado, resultante da segunda transfusão sanguínea. A veterinária depois explicou-nos que mesmo que não morresse nessa noite, não existiria uma solução a longo prazo para a leucemia mielóide, que nos humanos poderia ser curada com um transplante de medula, mas que infelizmente não se encontra disponível para animais domésticos.
Mesmo que apresentasse sintomas 15 dias ou um mês antes, os cuidados seriam apenas paliativos, pelo que certamente foi melhor ter vivido em casa até 3 dias antes de morrer, sem sofrer, nem definhar devido à doença como aconteceu com o Tobias.
É incrivelmente triste que a sua vida tenha sido ceifada tão nova... Faleceu com 1 ano e três meses, e viveu connosco apenas um ano e um mês. Literalmente morreu por amor, porque foi infectada aos 2/3 meses (quando é mais difícil combater o vírus) com o carinho e lambidelas que o Fibi constantemente lhe oferecia.
Estamos muitíssimo desapontados com os testes de FIV/FeLV, dos quais já tivemos vários falsos-negativos, especialmente com os de laboratório, aqueles que são vistos como os mais fiáveis.
De todos os veterinários com quem falámos, e foram muitos, trouxemos a certeza de que em matéria de interpretação destes testes e do entendimento da própria imunodeficiência causada por estes vírus - visto serem relativamente raros e muitos dos portadores serem eutanaziados aquando da sua detecção - está muito longe de haver um consenso, o que é dramático tanto para os pobres animais quanto para quem deles cuida.
Na net, as informações são igualmente não consensuais (algumas de muita má qualidade, o que ajuda na desinformação), concordando somente com a mortalidade deste vírus, mas consoante fontes credíveis os dois testes de FeLV, que detectam o antigénio p27 nos animais virémicos, apesar de serem tidos como similares embora de fiabilidade diversa, servem dois propósitos diferentes: o de kit, para localizar a presença do vírus no sangue (no primeiro estágio de virémia, ainda passível de transição e resposta imunitária); o de laboratório, para detectar o vírus na medula/glóbulos brancos (no segundo e final estágio de virémia, irreversível). O Tobias foi testado em laboratório ao FIV/FeLV, tendo dado negativo. Um ano e oito meses depois, 3 dias antes de falecer, foi-lhe efectuado novamente um teste laboratorial que deu positivo para FIV e negativo para FeLV.
Aquando do primeiro teste do Fibi (quando o encontrámos há 6 anos não sabiamos da existência destes vírus) pedimos ao veterinário que lá se encontrava para fazer o teste de kit conjuntamente com o de laboratório, mas ele insistiu que fosse apenas o segundo, visto ser mais infalível. Assim foi, e o Fibi deu como negativo.
A Olívia chegou e não foi testada porque vinha de uma Associação - após consulta veterinária - pelo que suposemos que já tivesse sido, e nem tinhamos conhecimento da existência de uma vacina (que apesar de tudo, não protege totalmente)... Um mês depois, o teste de kit deu positivo, o laboratorial negativo, e outro de kit pouco antes de falecer confirmou a seropositividade FeLV.
Como os testes diagnosticam fases distintas da doença, é necessário fazer ambos, não somente o visto como mais sendo o mais fiável. Ambos são necessários para detectar o vírus, e só quando ambos são bem executados e apresentam um resultado negativo (sendo por vezes ainda necessária mais uma confirmação) é que podemos ter a certeza que o animal não está infectado.
Lamento que não exista um maior consenso quanto à interpretação, e igualmente uma maior vontade de utilizar os 2 testes para diagnóstico... Caso tal tivesse acontecido, como sugerimos, o Fibi tinha muito provavelmente sido diagnosticado e a Olívia nem teria sido adoptada, vindo a perder a vida apenas um ano mais tarde de uma doença directamente relacionada com o FeLV.
Lamento igualmente que não sejam dispensados 3 minutos que sejam a questionar os donos - informando simultaneamente - se desejam testar estes vírus antes de introduzirem o animal em contacto com um segundo; e no caso de ser negativo para FeLV, vacinar prontamente, na tentativa de o proteger da hipótese, ainda que talvez remota, do outro animal ser um falso-negativo como no caso do Fibi.
Dado que um animal com FeLV elimina cerca de 2 milhões de cápsulas virais na saliva - e a vacina ser somente cerca de 80 a 90% eficaz na prevenção - isso significa que em contacto directo na mesma casa, em cada 10 lambidelas ou leves mordidelas (que poderão existir no espaço de poucos minutos) a vacina não protege contra 1 a 2 das mesmas.
Multiplicando estes contactos por vários dias, é inevitável que o gato negativo, mesmo vacinado, contraia a doença mais cedo ou mais tarde.
A maioria dos donos não são veterinários, e apesar de alguns esforçarem-se por manterem-se informados, como é o meu caso, é impossível actuar e fazer as escolhas acertadas sobre aquilo que se desconhece, sobre o que nunca se ouviu falar. Não há pesquisa que resulte sem sabermos antes o que devemos pesquisar.
Apesar de ser uma pessoa bastante curiosa e regra geral bem informada, estou certa de que existem imensas coisas sobre as quais nunca ouvi falar, pelo que espero, de um veterinário que assista um dos meus animais, que faça as ligações entre o caso individual que tem à sua frente, a prevenção, terapêutica adequada, e potenciais complicações... Infelizmente os donos vão aprendendo somente com a experiência, o que muitas vezes, passa pela doença ou morte dos animais.
Ainda que com a dor que sentimos, tentaremos recordar a nossa menina da forma mais positiva... como o pivete preto com uma pata ruiva, riscas e pêlos brancos no peito, que teimava em caçar-me sempre que nos cruzávamos; que passava horas no quintal a brincar com o Fibi e a observar o mundo; que se sentava no meu colo a ronronar e a roçar o focinho na minha cara; que era extremamente corajosa no veterinário, a tirar sangue, e em todas as interacções que tinha; que dormia na nossa cama, no Inverno enrolada na dona; que adorava arranhar caixinhas e dar uns estalos bem dados no focinho do Dário.
Vamos sentir imenso a falta dela, da sua presença enérgica e atrevida, e da sua beleza única.
Era a nossa pequenina, a princesinha da casa, a pivetita, a panterinha, o monstrinho das bolachas, e nunca a esqueceremos.
No dia em que faleceu, comprados num horto na mesma rua do hospital, plantámos um limoeiro e um crisantemo amarelo já crescidos. Com as cores dos olhos da Olívia, amarelo esverdeado, e colocados em grandes vasos negros, sempre que florirem ou derem limões lembrar-nos-emos da nossa princesinha.
Até sempre pivetita... ( 07.04.2008 - 04.07.2009)
( Texto e Fotografias - Iolanda )